Hamburgueria diz que cliente usou IA para criar barata e pedir reembolso

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Com participação de Flavia Ferreira. Originalmente postado no UoL.

O dono de uma hamburgueria afirmou que um cliente usou imagem supostamente criada por inteligência artificial para simular uma barata no lanche e pedir reembolso em uma plataforma de delivery, em São José dos Pinhais (PR). Especialistas ouvidos pelo UOL dizem que, se uma fraude for comprovada, o caso pode configurar estelionato.

O que aconteceu

  • Relato foi publicado nas redes sociais. No vídeo, o empresário Allison Zen, dono da Brutus Steakhouse e Hamburgueria, afirma que um cliente enviou foto com uma suposta barata no lanche e pediu o reembolso de R$ 44,90.

“Perdi o meu dinheiro e fiquei sem lanche, deu nojo de comer tudo.” — Reclamação feita pelo cliente no aplicativo de delivery

  • Caso aconteceu em pedido feito pela 99Food. Ao UOL, o dono da hamburgueria afirmou que contestou a reclamação e comunicou à plataforma que suspeitava de uma tentativa de fraude. Segundo ele, o pedido de reembolso foi recusado.
  • Empresário registrou boletim de ocorrência. Alisson disse que decidiu procurar a polícia para tentar identificar quem teria tentado prejudicar a hamburgueria.

“Não [eu não acredito que o episódio tenha abalado a confiança dos meus clientes]. Estamos há 10 anos no mercado e eles sabem a minha exigência em limpeza e que sempre mantenho o local dedetizado.”

“Eu fiz o post para alertar as pessoas e não imaginava que teria tanta repercussão. Uma loucura a repercussão.” — Alisson Zem, empresário e dono de hamburgueria

IA pode ser comparada a uma faca

  • Uso de IA para obter reembolso pode configurar estelionato. Ao UOL, o advogado Guilherme Chambarelli, sócio do Chambarelli Advogados, disse que se ficar comprovado que a imagem foi criada ou manipulada para induzir o restaurante ou a plataforma ao erro e obter vantagem econômica indevida, a conduta pode ser enquadrada no crime de estelionato.

“O uso de inteligência artificial, por si só, não é ilícito. O problema está na finalidade da ferramenta: quando ela é utilizada para fraudar terceiros e obter vantagem econômica indevida, pode haver responsabilização criminal.” — Guilherme Chambarelli, sócio do Chambarelli Advogados

  • Advogada vê agravante numa falsa acusação. Flavia Ferreira, especialista em Propriedade Intelectual e Tecnologia da Chatack Faiwichow & Faria Advogados, afirma que apresentar uma imagem falsa para simular a presença de uma barata no lanche também pode atribuir indevidamente ao restaurante uma grave irregularidade sanitária, com potencial para causar prejuízos financeiros e danos à negociação do estabelecimento. O enquadramento jurídico dependerá das situações do caso.

“Podemos equiparar a IA a uma faca. A faca pode tanto ser usada como um instrumento de cozinha quanto para machucar alguém; o que muda sua utilização é a intenção de quem a usa. Assim, a utilização de IA como ferramenta não elimina a responsabilidade, já que o que importa juridicamente é a intenção de enganar e obter vantagem indevida.” — Flavia Ferreira, advogada

  • Comerciante pode registrar boletim de ocorrência. Havendo indícios de fraude, o empresário pode comunicar o caso à polícia. Segundo os especialistas, o registro serve para formalizar os fatos e permitir que a autoridade policial avalie a abertura de investigação.
  • Consumidor também pode responder na esfera cível. Além de eventual responsabilização criminal, o cliente poderá ser obrigado a reparar os prejuízos causados ao restaurante, como o valor do reembolso obtido de forma indevida e outros danos eventualmente comprovados.

O que dizem plataformas

  • O UOL procurou as três principais plataformas de entrega. A reportagem perguntou sobre a orientação de cada uma dela para clientes e empreendedores em casos como este. 99Food, iFood e Keeta não responderam até a última atualização. O espaço segue aberto.

ANDRÉ CORRADI

FORMAÇÃO ACADÊMICA

Bacharel em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

ÁREAS DE ATUAÇÃO

André atua nas áreas de Direito Contencioso Cível Estratégico, envolvendo direito civil, recuperação judicial, dentre outros.

Tem experiência em responsabilidade civil, contratos, direito do consumidor e outros.

 

EXPERIÊNCIA

Ex-integrante da Equipe de Contencioso Cível Estratégico do Lobo de Rizzo Advogados.

Ex-integrante da Equipe de Arbitragem e Contencioso Cível Estratégico do Carvalho, Machado e Timm Advogados (CMT).

Ex-integrante da Equipe de Arbitragem e Contencioso Cível Estratégico do Mannheimer, Perez e Lyra advogados Advogados (MPL).

Foto - Thiago

THIAGO QUINTANILHA

Formação acadêmica

Graduado em direito na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – SP (PUC-SP).

Pós-graduado em Direito Tributário pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Mestrando em Direito Econômico e Financeiro pela Universidade de Bologna, Itália.
Graduado em direito na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – SP (PUC-SP).
 

Pós-graduado em Direito Tributário pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Mestrando em Direito Econômico e Financeiro pela Universidade de Bologna, Itália.

Graduado em direito na Universidade
Federal Fluminense (UFF), parcialmente cursada na Universidade Sophia
Antipolis (França).

Pós-graduado em Finanças e Contabilidade pela Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP).

Pós-graduado em Direito do Agronegócio pelo
Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio (IBDA).

Especialista em Arbitragem, pela
Fundação Getúlio Vargas (FGV).

ÁREAS DE ATUAÇÃO

Thiago Quintanilha de Almeida é sócio responsável pelas áreas de Contencioso Cível Estratégico e Empresarial.

Thiago Quintanilha de Almeida é sócio responsável pelas áreas de Contencioso Cível Estratégico e Empresarial.

EXPERIÊNCIA

Ex-integrante do Lefosse Advogados.

Ex-integrante do Rocha e Baptista Advogados.

Especialista em Contencioso Cível com ampla experiência em recuperação de
créditos.
Ex-integrante do Lefosse Advogados.

Ex-integrante do Rocha e Baptista Advogados.

Especialista em Contencioso Cível com ampla experiência em recuperação de
créditos.